Carla Visi, ex-Cheiro de Amor, fala como superou o câncer de mama 14 anos após a morte da mãe: ‘Muita fé’

No Dia Mundial de Combate ao Câncer de Mama, que é celebrado nesta quinta-feira (19), a cantora Carla Visi, ex-vocalista da banda Cheiro de Amor, contou  detalhes sobre a doença que descobriu logo após o carnaval deste ano e que resultou numa cirurgia para retirada de um nódulo em uma das mamas.

Desde o diagnóstico até a retirada do câncer, a artista passou por uma sessão de quimioterapia, 30 de radioterapia e continua fazendo tratamento de hormonioterapia, que pode durar de cinco até dez anos. Durante todo o processo, conta que manteve a serenidade.

“Na hora que a notícia chega, não é fácil. Você realmente vai ficar assustado, mas se tiver um pouquinho de esperança, um pedacinho, agarre-se nela. Agarre-se nessa esperança e siga em frente”.

Assim tem sido desde o início. Carla Visi detalha que descobriu que algo em uma das mamas estava fora do comum durante o autoexame. “Após o carnaval, sempre faço meus exames de rotina. Antes, eu disse [ao tocar os seios]: ‘Tem uma bolinha aqui que não existia’. Então, fui falar com o meu médico, falei com o ginecologista e começou todo o rastreamento”.

A cantora foi submetida a procedimentos como ultrassom, punção e biópsia, que indicaram o câncer. Do diagnóstico do nódulo de 2,3 cm de diâmetro até a cirurgia, que ocorreu no dia 4 de junho, se passou apenas um mês.

Por trás da esperança, estava uma família apreensiva com o histórico genético da cantora. Há 14 anos, a mãe dela morreu vítima de um câncer no intestino com metástase no fígado.

“O momento mais difícil foi na hora que o mastologista falou: Carla é câncer. Me veio todo uma história anterior e uma história que não foi bem-sucedida, porque minha mãe descobriu tardiamente. Esse filme que foi mais difícil. Entrar na clínica, relembrar todo o processo de uma luta que a gente não venceu, porque descobrimos num estágio muito avançado”.

Diante de toda a apreensão, a serenidade prevaleceu. “Naquele momento me deu o baque, mas por outro lado eu disse que eu tenho todas chances de fazer uma final diferente. E aqui estou eu”.

No tratamento, a cantora explica que enfrentou uma reação alérgica durante a quimioterapia e, por isso, acabou não avançando para a segunda sessão. Os cuidados ficaram por conta de medicamentos mais leves e, posteriormente, por conta da radioterapia.

Mesmo com a interrupção da quimioterapia, a queda de cabelo foi inevitável. “Eu usei a crioterapia, que é a toca gelada para não cair o cabelo, e meu cabelo caiu ainda assim. Isso era improvável para um tratamento preventivo, com medicamentos relativamente mais fracos. Não deveria ter caído cabelo na primeira sessão da quimioterapia. Talvez, na segunda, mas eu nem cheguei a fazer a segunda porque o corpo todo deu sinal de alerta de que não estava apto. Perdi as madeixas, mas não fiz mais quimio. Isso já me deixou feliz”.

A vaidade, diante da perda dos cabelos, não sobrepôs a felicidade por um tratamento bem-sucedido. A serenidade da cantora diante da doença é abraçada pela espiritualidade.

“Sou uma pessoa que tem muita fé. Sou espírita e os conhecimentos que eu tenho da doutrina me fortalecem bastante para enfrentar qualquer tipo de dificuldade. Nós pensamos que processos, como doenças, são oportunidades de ajustes”.

Para Carla Visi, que enfrentou a doença e vai precisar monitorar a situação com zelo pelos próximos anos, o câncer precisa deixar de ser tratado com um mito, como um calvário. “Você não pode ter medo do câncer. Tem que acabar com isso. Todas as doenças são difíceis: diabetes, cardiopatias, doenças degenerativas. Doença não é coisa boa, por isso que a gente tem que se tratar. Por isso, a gente tem que encarar de frente. O tratamento [do câncer] não é fácil, mas depois que você passa por ele as coisas voltam ao normal e você se sente muito mais fortalecido. Se você já amava viver, a vida tem ainda um colorido muito maior”.

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